sábado, 25 de novembro de 2017

A Pré-História e a Evolução do Airbag.

Se você procurar no Google qual foi o primeiro carro a usar airbags, os primeiros links exibidos mostrarão o nome “Mercedes-Benz S Class 1981”, ou alguma variação. Mas isso é apenas meia-verdade. O airbag surgiu muito antes, mais exatamente 30 anos antes do lançamento do sedã alemão.
A primeira patente de um dispositivo similar ao airbag é de 1951. Um engenheiro alemão chamado Walter Linderer criou uma bolsa de ar que era inflada por um compressor ativado pelo pára-choque ou pelo motorista, mas testes mostraram que a velocidade de enchimento desses airbags era muito lenta e não garantia a proteção necessária ao motorista.
A ideia do airbag como conhecemos hoje surgiu somente em 1953, quando John W. Hetrick, um engenheiro industrial da marinha usou sua experiência com disparadores de ar comprimido para torpedos para desenvolver um sistema mais rápido e totalmente automático. Ele chegou a trabalhar em parceria com a Ford no fim dos anos 1950, mas a fabricante decidiu investir na imagem de velocidade e desempenho, como fazia a GM.
Dez anos depois foi a vez do japonês Yasuzaburou Kobori patentear um dispositivo de segurança automotivo baseado em bolsas de ar, que era muito parecido com os sistemas de múltiplas bolsas modernos, com proteção nas laterais, no teto e no banco traseiro, mas ainda não havia uma forma de ativá-los com a rapidez e eficiência necessária para realmente oferecer proteção aos ocupantes do carro.

O ponto de virada da história do airbag apareceu em 1967, quando o engenheiro americano Allen K. Breed inventou o sensor eletromecânico usado até hoje nos sistemas de detonação de airbags e pré-tensores de cintos. O dispositivo consiste em um tubo metálico com uma bola também metálica presa por um magneto. No caso de uma desaceleração muito brusca (por exemplo 0,5 g em 3 milissegundos), a bola se desloca com força suficiente para ativar a inflação da bolsa usando uma pequena carga explosiva de azida sódica em vez de ar comprimido. Essa explosão se mostrou capaz de encher a bolsa em apenas 30 milissegundos — muito mais rápido do que qualquer compressor de ar.

Com essa evolução, no começo dos anos 1970 a ideia de usar as bolsas infláveis para salvar vidas já era algo bastante claro para os engenheiros automotivos. Os primeiros testes com airbags foram feitos pela Ford em 1971 e pela General Motors em 1972. Mas ao contrário dos airbags de hoje, eles não foram pensados como uma proteção adicional, e sim como substituto dos cintos de segurança, pois poucos motoristas americanos os usavam.

A Chevrolet fabricou 1.000 Caprice e Impala modelo 1973 equipados com airbags experimentais chamados de Air Cushion Restraint System, ou ACRS. Ele consistia de uma bolsa instalada no volante e outra no painel abaixo do porta-luvas. Essas bolsas eram infladas em 40 milissegundos pelo dispositivo explosivo citado acima, e eram suficientemente grandes para proteger a cabeça, o tronco e os joelhos dos três passageiros dianteiros — a bolsa da direita ainda tinha duplo estágio. Esses Chevrolet usavam painel de Oldsmobile, motor V8 de 350 pol³ de 254 cv e o chassi reforçado dos carros de polícia. Eles foram vendidos para frotas do governo e alguns sofreram acidentes e salvaram os passageiros.
Depois desta experiência, o ACRS tornou-se o primeiro sistema de airbags oferecido ao consumidor comum, quando a GM passou a vendê-lo como opcional para toda a linha da Cadillac (exceto o Eldorado conversível e o Fleetwood série 75), para os Buick Electra 225 e Riviera e para os Oldsmobile Delta 88, Delta 88 Royale, Ninety Eight e Toronado no final de 1973.
Ele continuou sendo oferecido em 1975 e 1976, mas acabou abandonado pela baixa procura — a estimativa da GM era de fabricar 100.000 carros equipados com o ACRS, mas apenas 10.000 foram feitos nesses três anos. Depois disso, a GM só voltaria a oferecer airbags nos EUA no início dos anos 1990.
Mesmo depois de ser abandonado, o ACRS continuou salvando vidas. No final dos anos 1990 um Oldsmobile Toronado 1974 bateu em outro carro, e a idosa que estava dirigindo o Olds foi protegida pelo ACRS, enquanto o motorista do outro carro não sobreviveu.
Outro caso envolvendo esse sistema foi quando o Insurance Institute for Highway Safety encontrou dois Chevy Impala 73 equipados com o ACRS guardados em um galpão. Um deles foi completamente restaurado e o outro apenas recebeu uma bateria nova e foi usado em um crash test. Mesmo depois de ter ficado parado por 20 anos as bolsas infláveis funcionaram perfeitamente.
O airbag como conhecemos hoje em dia foi introduzido pela Mercedes-Benz em 1981, como opcional para o novo Classe S W126, mas não era tão refinado quanto a ACRS: as bolsas eram menores e só protegiam a cabeça dos ocupantes e tinham apenas um estágio (os airbags de duplo estágio só apareceram nos últimos 10 anos). Mas o sistema tinha uma diferença fundamental para tornar-se bem-sucedida: em vez de substituir os cintos de segurança, eles eram um sistema suplementar — daí o nome Supplemental Restraint System, mais conhecido pela sigla SRS.

Desde então, o airbag evoluiu e se espalhou por todo o carro: passou a ser desativado automaticamente caso o banco do passageiro não esteja ocupado, ganhou duplo estágio, protege joelhos, ocupantes dos bancos de trás e até pedestres. Mas seu princípio básico de funcionamento ainda é o mesmo daquele primeiro airbag da Chevrolet: um sensor de desaceleração que emite um pulso elétrico para explodir um combustível sólido e inflar a bolsa.
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